Juju @ Pixel Inferno
Agents are… GO!

Sabe quando você joga um jogo assim, despretenciosamente, e acaba se apaixonando por ele?

Elite Beat Agents é um desses jogos.

O conceito do jogo é relativamente simples: você é um Elite Beat Agent. Sua missão é resolver os mais diversos problemas das pessoas que pedem por ajuda, e sua arma é a música.

Quando inicia-se uma missão, primeiro aparece uma pequena historinha contada através de quadrinhos semi-animados. As histórias variam de problemas simples, como o da babá que quer conversar a sós com o namorado mas não consegue porque as crianças não deixam, a conflitos totalmente absurdos, como o do barão do petróleo que de repente vai à falência e é chutado de casa e, munido apenas de uma pá, tem de cavar até encontrar outro poço de petróleo para enriquecer denovo. Sempre no final de cada introdução, alguém pede por ajuda, e é quando o Comandante Kahn encontra o necessitado de ajuda em seu computador e envia os agentes.

Assim que esta se conclui, uma nova animação se inicia, mas dessa vez mostrando os agentes chegando na cena, sempre de forma inusitada, e começando a cantar e dançar, animando quem quer que seja o desafortunado da vez. É aqui que começa o gameplay.

Este funciona de maneira relativamente simples: bolas com números são exibidos na tela. Cada bola com um número possuem um anel em volta. Este anel vai fechando mais e mais ao redor da bola, e quando ele toca as bordas da bola, o jogador deve tocar esta com a stylus [há os que preferem jogar com os dedos, mas eu não recomendo, por cobrir muito a tela durante o jogo, permitindo que “notas” furtivas apareçam sob o dedo do jogador enquanto ele toca outras]. Estas bolas, ou “notas” vão aparecendo conforme a musica vai tocando, acompanhando a mesma. Diferente de um Rock Band da vida, entretanto, a “pista” que cada trecho de notas acompanha é completamente aleatório. Vezes é a bateria da musica, vezes é a voz, vezes são palmas e em alguns momentos pode ser até mesmo o trecho offbeat da musica. Este mecanismo torna o jogo particularmente desafiador.

Conforme o jogador vai “estourando balões” com a stylus,  o Rhythm Meter, que equivale a barra de vida dos agentes, vai caindo, e o único modo de mantê-lo acima do meio é acertando as notas no tempo certo. Bem, mas por que você ia querer mantê-lo acima da metade? Bem, por que de tempos em tempos a musica para e o Rhythm Meter é consultado. Se o mesmo está acima da metade, as coisas dão certo para a pessoa que os agentes estão ajudando, mas se estiver abaixo da metade, no vermelho, algo dá errado e sua avaliação cai no final da missão. Isto é muito estimulante e adiciona ao replay value. Me peguei re-jogando as missões que já tinha terminado com rank alto, só para ver o que acontece quando se erra cada trecho e os finais ruins de cada missão. Na missão em que se tem que ajudar o capitão lá a encontrar tesouros no fundo do mar, sempre que o jogador erra ele encontra algo sem valor, e no final da missão, o baú que ele captura está cheio de latas de comida vencida. O final bom é, obviamente, um belíssimo tesouro.

Há outros mecanismos de controle, como os marcadores frasais, em que uma bola desliza por um trilho e o jogador deve manter a stylus tocando a bola sempre, e o marcador de giro, que é um disco que aparece na tela e o jogador deve girá-lo o mais rápido possível para passar no teste do marcador e, com sorte, ganhar uns pontos bönus. A touch-screen funciona surpreendentemente bem com este jogo, sem lags ou imprecisões. De fato, o jogo é tão preciso que consegue detectar o ponto exato do toque do jogador, coisa que não se vê em outros jogos como Rhythm Heaven.

Cada agente representa um nível de dificuldade. O agente Spin equivale ao easy, que é EXTREMAMENTE fácil, mesmo para a pessoa com menos senso de ritmo do mundo. Agente J o loiro topetudo da capa do jogo, representa o nível normal. Quando termina-se a campanha com o Agente J, libera o nível Hard, com o Agente Chieftain, e depois dele rolam ainda alguns segredos os quais não revelarei [mesmo que, provavelmente, qualquer um procurando videos no youtube certamente verá os spoilers no primeiro resultado da busca].

O jogo possui cerca de 15 missões por campanha mais 3 missões bonus que não precisam ser jogadas, mesmo que não haja motivo para não jogá-las. Cada missão possui sua própria musica. As musicas do jogo são todas remixes de musicas populares mas mais puxadas para o Dance. Eu posso citar por alto algumas delas: Y.M.C.A., do Village People, Material Girl da Madonna e ABC dos Jackson 5. Algumas musicas parecem descontextualizadas, como Canned Heat, do Jamiroquai, tocando enquanto o ninja Ken Ozu tenta recuperar dados roubados da empresa de seu pai, mas é fácil de se acostumar com elas.

Uma das coisas que chamou minha atenção no jogo é a curva de aprendizado. Ele nunca fica difícil demais. Eu comecei jogando no normal, com o Agente J. Assim que zerei o jogo, comecei no Hard, sempre sem ter grandes problemas. Um amigo meu que começou a jogar junto comigo passou das primeiras missões do normal sem problemas, mas quando tentou jogar a primeira musica no Hard, falhou antes da metade. Hoje eu e ele estamos jogando no nível mais alto, sendo que eu me considero um jogador hardcore e ele um jogador casual. Logo que eu comecei a jogar, o hard parecia IMPOSSÍVEL. Era a mesma sensação de quando se vê essa gente jogando nessas máquinas de Pump It Up nos arcades, mas em coisa de dois ou três dias de jogo eu já estava no nível mais difícil.

Uma crítica que eu faço ao jogo é o baixo número de músicas. Os gráficos estão legais para o Nintendo DS. A única coisa em 3D são os agentes dançando na touch screen durante o gameplay [sem atrapalhar], e os desenhos possuem estilo próprio e são bonitos e bem animados. O som está mais do que excelente para as capabilidades do Nintendo DS. Jogar Elite Beat Agents com fones de ouvido é uma delícia. Mas há muito poucas musicas. Tinha que ter no mínimo umas 24 musicas. Outra coisa que faz falta é uma sequência.

Há alguns anos um jogo chamado Osu! Tatakae! Ouendan! saiu no japão. No jogo, controla-se um grupo de líderes de torcida [homens] que ajudam as pessoas torcendo. O jogo foi tão importado para a américa que a Nintendo contratou a Inis para localizar o jogo aqui. Ao invés disso, eles americanizaram o jogo, transformando os cheerleaders em agentes e os j-pop em musica pop americana. Nessa época também saiu Ouendan! 2 [ou Moero! Nekketsu Rhythm Damashii Osu! Tatakae! Ouendan! 2], que era a continuação direta do Osu! Tatakae! Ouendan!… Mas cadê o Elite Beat Agents 2? Simplesmente não há planos, mesmo o jogo tendo sido um sucesso comercial. Nintendo tem que ver isso ae.

Enfim, Elite Beat Agents é um bom jogo. Recomendo à todos que procuram um bom desafio, que gostam de jogos de ritmo e que procuram um jogo original. Os personagens do jogo, mesmo sem falar uma palavra sequer cativam o jogador com suas dancinhas ridículase com o modo como adicionam excentrecidade às situações.